Hiper-realismo: onde a fotografia acaba e o sonho começa

Sam Jinks

O Hiper-realismo, que deriva do fotorrealismo, teve origem na segunda metade do século XX e apareceu pela primeira vez como título de uma exposição organizada pela galerista belga Isy Brachot, em 1973. Na época, assumiu o mesmo significado que fotorrealismo. O detalhe muito preciso e a alta definição das imagens proporcionam uma visão mais tridimensional do objeto ou indivíduo representado, e são também as características que diferenciam o hiper-realismo do fotorrealismo. Tanto pintores como escultores hiper-realistas usam recursos mecânicos ou óticos para transferir a imagem fotográfica para a técnica de sua eleição, como moldes, projetores de slides e retículas para ampliação. Anomalias nas imagens originais, como focos seletivos, reflexos e outros podem também ser usados como recursos expressivos.

Deixamos aqui 10 artistas hiper-realistas que representam na sua total plenitude as técnicas, as sensações e o poder que o hiper-realismo pode ter na perspetiva do observador.

Sam Jinks, 1973, Bendigo, Austrália

 

Sam Jinks é um escultor australiano que cria figuras realistas, mas frágeis, usando silicone, resina, carbonato de cálcio, fibra de vidro e cabelo humano. As suas obras chegam a ser perturbadoras devido à personalidade que a obra parece transparecer. Contudo, é inegável a sensibilidade extrema que as suas esculturas nos transmitem.

 

Ron Mueck, 1958, Melbourne, Austrália

 

Hans Ronald Mueck, mais conhecido como Ron Mueck (Melbourne, 1958), é um escultor australiano hiper-realista que trabalha na Grã-Bretanha. Mueck cresceu no mundo de fantasia que era transmitido pelos pais: a mãe fazia bonecos de pano e o pai brinquedos de barro. Segundo relatos, Mueck adquiriu esse perfeccionismo por causa do pai, que sempre exigia que fizesse tudo perfeito. No início da carreira foi fabricante de marionetas e modelos para a televisão e filmes infantis, nomeadamente no filme Labyrinth. As obras são incrivelmente realistas. Se não fosse o tamanho das  esculturas, elas seriam facilmente confundidas com pessoas. Ou são muito grandes ou muito pequenas, nunca do tamanho real à escala humana.

Giovani Caramelho, 1990, Santo André-SP, Brasil

 

Giovani Caramelho é um artista brasileiro, autodidata, que iniciou a carreira com modelagem 3D e foi buscar à escultura uma forma de aperfeiçoar a técnica, despertando então o interesse pelo hiper-realismo. Influenciado por artistas como Lucian Freud, o simbolista Gustav Klimt e o expressionista Egon Schiele, o trabalho de Giovani aborda questões relacionadas com o tempo e a sua efemeridade, o artista propõe uma reflexão sobre o conceito de que tudo um dia acaba, seja um sentimento, uma experiência, uma fase ou a própria vida. As suas obras mostram que o único momento existente é o presente, e este também é efémero.

 

Yigal Ozeri, 1958, Israel

 

Yigal Ozeri é um artista israelita, atualmente a viver em Nova Iorque, e é conhecido pelos seus retratos em grande escala de mulheres no meio de paisagens transcendentes. Ele tira as suas próprias fotografias digitais, posteriormente edita-as no photoshop e imprime-as para usar como material de referência nas suas pinturas a óleo altamente detalhadas. O seu trabalho tende a ter um tom subtil de alegoria e fantasia, ao mesmo tempo em que é incrivelmente realista e quase indistinguível de uma fotografia.

 

Patricia Piccinini, 1965, Freetown, Autrália

 

A artista australiana Patricia Piccinini, nascida na Serra Leoa, é conhecida pela sua coleção de animais transgénicos de criaturas hiper-realistas e perturbadoras. Construídas a partir de silicone e fibra de vidro, essas esculturas híbridas investigam o surgimento potencial de novos e preocupantes desenvolvimentos através do avanço da biotecnologia e da manipulação genética, como em The Young Family (2002-03), uma grotesca porca humana enrugada, feito de silicone, acrílico e materiais como cabelo humano e couro. Outros esquemas figurativos incluem pares inesperados de animais e humanos, como Balasana (2009), uma criança com um marsupial nas costas.

 

Emanuele Dascanio, 1983, Garbagnate Milanese, Itália

Emanuele Dascanio nasceu em Garbagnate Milanese, em 1983. Depois de se formar na escola de artes Lucio Fontana di Arese, em 2003, matriculou-se na seção de pintura da Academia de Brera, mas desistiu seis meses depois. Mas o desejo e a necessidade de crescimento artístico era tão grande que, em 2007, inicia os estudos de Gianluca Corona, encontrando nele um bom professor e aprendendo a técnica da pintura a óleo. Emanuele Dascanio é um perfecionista que se tem dedicado ao estudo das técnicas artísticas e à busca pelo aprimoramento contínuo de suas habilidades como pintor.

 

Paul Shanghai, China

 

O artista chinês Paul Shanghai pode passar 60 horas a aperfeiçoar as suas obras nas quais recria o movimento e a transparência de materiais líquidos nas suas telas. Em alguns trabalhos o artista consegue moldar todas as formas e curvas de um desenho com aspeto líquido, fazendo flores, pessoas e objetos com traços de água. Shanghai é conhecido também por telas muito realistas, feitas a lápis, com retratos de pessoas, artistas famosos e de ícones da cultura mundial.

 

Roberto Bernardi, 1974, Todi, Itália

Roberto Bernardi é um pintor fotorrealista que explora a beleza da vida quotidiana através dos reflexos e transparências nas suas pinturas de natureza morta, usando como assunto principal pratos e copos, utensílios de cozinha, lava-louças, frigoríficos e, mais recentemente, chupa-chupas e doces.

 

 Alyssa Monks, 1977, Ridgewood, New Jersey

Em pinturas viscerais e exuberantes, Alyssa Monks visa expressar as experiências mais fundamentais do ser humano, incluindo o amor, a perda e a busca por si mesmo. Ela concentra-se principalmente na figura humana, retratando a si mesma, conhecidos e entes queridos em composições íntimas e em grande escala que parecem expressivamente naturalistas. É professora e dá palestras em universidades e instituições. Foi premiada pela Fundação Grant Elizabeth Greenshields de Pintura três vezes e é membro da New York Academy of Art de Conselho de Curadores.

 

Jamie Salmon e Jackie K. Seo 

 

A dupla Jamie Salmon (britânico) e Jackie K. Seo (coreana) atualmente vivem e trabalham no Canadá. Ele é especialista em escultura hiper-realista, tanto figurativa e retrato, utilizando materiais como borracha de silicone, resina, cabelo e tecido. Ela, assim como Jamie, também começou a sua carreira a trabalhar como artista comercial para a indústria do cinema e é especializada em escultura hiper-realista.